Sobre Primeira Infância e Saúde Mental


Diferentes investigaçoes afirmam que muitos dos transtornos mentais e problemas psicopatológicos, às vezes crônicos e irreversíveis, surgem nos nossos primeiros anos de vida. Entenda bem o por quê.

Se eu peço que você, caro leitor, tente se lembrar de sua primeira recordação, você seria capaz de me dizer onde você estava e quantos anos tinha? (pausa dramática para pensar) A maioria das pessoas crescemos acreditando que nossas experiências com o mundo só começam quando somos conscientes delas. Mas você ja se perguntou quantas coisas aconteceram nos seus primeiríssimos meses e anos de vida?

Pode ser que você se lembre de você mesmo correndo na praia, brincando com seu irmão ou chorando no seu aniversário de 4 ou 5 anos porque sua tia te deu uma muda de roupa de presente. Mas o que aconteceu antes disso? Que sentimentos você tinha quando chorava no berço de madrugada, quando seus dentes estavam nascendo ou quando sua mãe te deixava com sua amada avó pra poder ir trabalhar?

Ou você acreditava que você era apenas um bonequinho que comia, cagava e chupava o próprio pé?

Pois não. Ainda que o nosso cérebro esteja em constante desenvolvimento durante toda a vida, são nos primeiros três anos que adquirimos o maior número de conhecimentos e habilidades humanas, por conta do processo de maturação do sistema nervoso (não é por acaso que os bebês tem a cabeça tão grande). 

Aprendemos a ver, a reconhecer as pessoas e os objetos, a chamar a atenção quando temos fome. Aprendemos a rodar, a engatinhar, a levantar e a sair correndo. Aprendemos a dizer “a”, depois “mamá”, después “mamá quero água”, até que somos capazes de alcançar o copo, pegar ele com nossas próprias mãos e derrubar tudo no chão. A mãe da gente dá um berro, a gente chora e então TCHARAM, aprendemos uma coisa nova: nunca irrite seus pais.

A esta capacidade de perfeccionamento mental característico dos primeiros anos de vida, lhe damos o nome de Neuroplasticidade. Ela está íntimamente relacionada aos primeros estímulos que adquirimos do mundo social e posibilita que as experiências, percepçoes, sensaçoes e os aprendizados por nós vividos nesta fase, fiquem registrados pra que possamos adaptar a nosso entorno. Desta forma, é possivel dizer que todas as características do ser humano são fruto da interacão entre fatores genéticos (os que trazemos em nosso DNA) e ambientais (os que adquirimos com nossas experiências e relaçoes) - ou que somos um grande conjunto de células que fazem coisas.

Neste contexto, está a Familia: nosso núcleo primário, responsável por nos dar proteção, atenção, alimentação e o afeto tão necessários para formar as bases de nosso desenvolvimento cognitivo, emocional e social. De novo: as ba-ses de seu de-sen-vol-vi-men-to. Ou seja, nossas primeiras relaçoes com nossa família são essenciais para a organização da nossa saúde mental.

Fazemos então uma reflexão?

Você acha que as percepcoes de um bebê que nasce dentro de uma relação segura entre pai e mãe,  serão iguais às experiências de um bebê que nasce dentro de um contexto de guerra (ou favela), ou de uma mãe que tem depressão pós parto? 
Você acha que a relação de uma mãe de 30 anos, casada e com licença maternidade será igual a de uma mãe adolescente de 16 anos, ou de uma família pobre que não tem dinheiro nem para comer? 
Você acha que uma mãe, que durante toda a vida desejou ter um filho, vai ser a mesma experiência de uma mãe que tem um filho fruto de uma violação sexual, ou de uma mãe que sofre violência doméstica? 
Isso sem falar das crianças adotadas, com discapacidade, das que sofreram abuso infantil ou das que estiveram muito tempo na incubadora. 

A resposta é evidente: não! Porque nenhuma família é igual a outra, e algumas são melhores ou piores que a sua - e aqui a loteria genética tem um papel importantíssimo, porque você nasceu onde nasceu, mas a cegonha poderia ter te levado para a porta do castelo do Rei. Talvez até hoje eu não tenha perdoado ela por isso. 

Isso nao quer dizer que você não vai ser feliz, que não vai ter uma vida de sucesso ou que não passará por algumas dificuldades pelo caminho. Também não quer dizer que você deveria culpar a sua mãe (como Freud fazia) pela vida que tem, nem sair por aí dizendo que você continua sendo um pouquinho imbecil por causa de tudo o que sucedeu naqueles anos. 

Mas saber o que passou e como eram nosso pais de 20, 30, 40 anos atrás (ou sabe lá Deus quantos anos você tem agora mesmo), pode dar significado a muitos aspectos de sua personalidade atual: saber se te desejavam, se se relacionavam bem, se viviam alguma dificuldade ou problema (econômico, social, emocional, divórcio, morte de algum ente querido, situacao de catástrofe natural, algum acidente...), saber com quantos anos você foi pra creche, qual foi sua reação, qual foi a reação dos seus pais, se eram pais presentes, se não podiam estar, se não queriam estar, se você tinha outra pessoa de referência, se te tratavam bem, si te davam atenção, se falavam com você, se te tocavam, se te beijavam, se se chateavam muito quando você chorava, se eram mais pacientes, se você dormia bem, se comia bem.... Olha só quanta informação e quantas conclusoes a gente pode tirar. 

É como a história dos antigos orfanatos, que deixavam que os bebês pequenas chorassem (muito) até dormir. Talvez chorassem porque tinham medo, fome, calor, necessidade de atenção... Tem gente que diz que a técnica funciona, porque é verdade, eles param de chorar (ou de molestar, chamem como queiser). Mas também param de fazer demandas: ¿por quê continuariam chorando se ninguém lhes atendem? Essa criança terá inúmeras oportunidades de se desfazer deste "trauma" durante a vida de maneira natural, mas pode ser que um dia seja um adulto que não entende por quê é tão difícil pedir ajuda e porque sempre se sobrecarrega de atividades. 

Também existe o exemplo dos bebês que choram porque tem cólica, mas que a mãe pensa que é fome (o que é absolutamente normal, porque os bebês choram por absolutamente tudo). Não é tão difícil pra um bebê associar qualquer sentimento, bom ou ruim, a calentamento, atenção e alimentação. Inclusive, existem estudos que defendem que a compulsão alimentar e o alcoolismo podem ter origens tão precoces como os primeiros meses de vida. Mas a única coisa que o adulto que sofre sabe dizer é que tem compulsão alimentar emocional, mas não entende o por quê.

Em resumo, é importante saber que às vezes as razoes de comportamentos que temos e que nos fazem sofrer, estão escondidas detrás de idades tão precoces, de mentes tao frágeis e da total falta de controle infantil, que ficam registradas numa caixinha do insconsciente, quase sempre inacessível sem um trabalho terapêutico. Mas ser consciente de que uma relação segura, cálida, íntima e continuada na primeira infância, além de um entorno tranquilo, amável e de bem estar familiar, são fatores essenciais para a saúde mental das pessoas, e tomar consciencia disso pode ser libertador. 

Me encontrem também em:
INSTAGRAM: @dea.martinez
TWITTER: @deamsouza

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Diferentes investigaciones afirman que muchos de los trastornos mentales y problemas psicopatológicos, a veces crónicos e irreversibles, surgen en los primeros años de vida. Entienda bien el por qué.

Si te pido que te recuerdes de tu primer recuerdo, ¿serías capaz de decirme dónde estabas, qué hacías y cuántos años tenías? La mayoría de nosotros crecemos creyendo que nuestras experiencias han tenido inicio a partir del momento que tomamos conciencia de ello. Pero ¿ya te has preguntado cuantas cosas han pasado en tus primeros años de vida?
Puede que te recuerdes de un momento tuyo corriendo en la playa, jugando con tu hermano o llorando en tu cumpleaños de 4 años porque tu tía te regaló una muda de ropa. Pero ¿qué ha pasado antes de eso?, ¿qué sentimientos tenías cuando llorabas en la cuna de madrugada, cuando tus dientes nacían, o cuando tu madre te dejaba con tu abuela para irse a trabajar? 

¿O creías que de bebé eras tan solo un pequeño muñeco que comía, cagaba y se chupaba el pie?

Pues no. Aunque nuestro cerebro esté en constante desarrollo durante toda la vida, es en los tres primeros años que adquirimos el mayor número de conocimientos y habilidades humanas, en razón del proceso de maduración del sistema nervioso (no es por acaso que los bebés tienen la cabeza tan grande). 
Aprendemos a ver, a reconocer las personas y los objetos, a llamar la atención cuando tenemos hambre. Aprendemos a girar, a gatear, a levantar y a correr. Aprendemos a decir “a”, después “mamá”, después “mamá quiero agua”, hasta que somos capaces de alcanzar el vaso, cogerlo con nuestras propias manos y derribar todo en el suelo. Nuestras madres nos han regañado, hemos llorado y entonces !mira! hemos aprendido una cosa nueva: no seas tan torpe.
A la capacidad de perfeccionamiento mental característico de los primeros años de vida le llamamos Neuroplasticidad. Ella está íntimamente relacionada a los primeros estímulos que adquirimos del mundo social y posibilita que las experiencias, percepciones, sensaciones y los aprendizajes vividos por nosotros en estas fases se queden registrados para que nos podamos adaptar a nuestro entorno. De esta forma, es posible decir que todas las características del ser humano son fruto de la interacción entre factores genéticos (los que traemos en nuestro ADN) y ambientales (los que adquirimos con nuestras experiencias y relaciones) - o que somos un gran conjunto de células que hace cosas.
En este contexto, está la Familia: nuestro núcleo primario, responsable de proveernos protección, atención, alimentación y el afecto tan necesario para formar las bases de nuestro desarrollo cognitivo, emocional y social. Las ba-ses de tu de-sa-rro-llo. Es decir, nuestras primeras relaciones con nuestra familia son esenciales para la organización de nuestra salud mental.

Hacemos entonces una reflexión:

¿Crees que las percepciones de un bebé que nace dentro de una relación segura entre padre y madre, serán iguales a las experiencias de un bebé que nace dentro de un contexto de guerra o de una madre que tiene depresión? ¿Crees que la relación de una madre de 30 años, casada y con permiso maternidad será igual a la relación de una madre adolescente de 16 años, o de una familia pobre que no tiene ni para comer? ¿Crees que la relación de una madre que, durante toda la vida, ha deseado un hijo y lo ha conseguido, será la misma de una madre que tiene un hijo fruto de una violación, o de una madre que sufre violencia de genero? Eso sin hablar de los niños adoptados, de los niños con discapacidad, de los que sufrieron abusos, de los que han estado en la incubadora.

La respuesta es clara: no! Porque ninguna familia es igual que la otra, y algunas son mejores o peores que la tuya - y aquí la lotería genética juega un papel importantísimo, porque tu naciste dónde naciste, pero la cigüeña te podría haber llevado a la puerta del castillo del Rey. Quizás todavía no la haya perdonado por eso.
Eso no quiere decir que no serás feliz, que no tendrás una vida de suceso o que no pasarás por dificultades. Tampoco quiere decir que deberás culpar a tu madre (como Freud lo hacía) por la vida que llevas, ni que sigues siendo un poco imbécil por culpa de todo lo que sucedió en aquellos años. Pero saber lo que pasó y como eran nuestros padres de 20, 30, 40 años atrás (o cuantos años tengas ahora...), puede dar significado a muchos aspectos de lo que eres hoy: saber si te deseaban, si se llevaban bien, si se enfrentaban con algún problema (económico, emocional, divorcio, muerte de algún pariente, catástrofes naturales, accidentes...), saber con cuántos años fuiste a la guardería, como reaccionaste, como reaccionaron, si estaban presentes, si no podrían estar, si tenías otras personas de referencia, si te trataban bien, si te daban atención, si hablaban contigo, si te tocaban, si te besaban, si se enfadaban mucho cuando llorabas, si dormías bien, si comías bien. Mira cuanta información y cuantas conclusiones se pueden hacer?

Es como la historia de los antiguos orfanatos, que dejaban que los niños pequeños llorasen (mucho) hasta que se quedasen dormidos. Quizás llorasen porque tenían miedo, hambre, calor, necesidad de atención... Hay gente que dice que la técnica funciona, porque es verdad, ellos paran de llorar (o molestar, llamadlo como queráis). Pero también paran de hacer demandas: ¿por qué seguirían llorando si nadie les atienden? Este niño será adulto un día, y quizás no entienda porque le cuesta tanto pedir ayuda. 
También hay el ejemplo de los niños que lloran por dolor, pero la madre piensa que es hambre (lo que es absolutamente normal, porque los bebés lloran por todo). No es tan difícil para un bebé asociar sentimientos y calentamiento a la alimentación. De hecho, hay muchos estudios que defienden que la compulsión alimentar y el alcoholismo pueden tener orígenes tan tempranas como los primeros días de vida. Pero lo único que sabe decir la gente es que tiene compulsión emocional, sin saber el por qué. 

En resumen, es importante saber que a veces las razones de los comportamientos que tenemos y que nos hace sufrir, están escondidas en edades tan tempranas, tan frágiles y de total falta de control, que se nos queda registradas en un sitio inconsciente, casi siempre inaccesibles sin que haya un trabajo terapéutico. Pero ser consciente que una relación segura, cálida, íntima y continuada en la primera infancia, además de un entorno tranquilo, amable y de bienestar familiar, son factores esenciales para la salud mental de las personas, y tomar consciencia de ellos puede ser libertador. 

Andréa Martínez 
Me encontrem também em:
INSTAGRAM: @dea.martinez
TWITTER: @deamsouza

Comentários

  1. Excelente Texto... muito bom para refletir e buscar informações sobre nossa essência! Art, Fabiana Duarte

    ResponderExcluir

Postar um comentário